Logo tudo escureceu, vi o deslumbre de alguém alto vindo em minha direção, houve um choque maior seguido de paz, mas o martírio apenas começara.
quinta-feira, 24 de março de 2011
Prefácio
Logo tudo escureceu, vi o deslumbre de alguém alto vindo em minha direção, houve um choque maior seguido de paz, mas o martírio apenas começara.
Prólogo.
Hoje, um dia lindo, com tudo para ser um dia rotineiro e bom, aparece um bispo, sem sua mitra e exageros, a qual a eles são dadas a satisfazer sua vaidade pessoal. Só com as vestimentas pretas, sem anéis, talvez tenha medo de ser assaltado, como se nós daqui se importássemos com coisas banais. Padre Adílio fala muito sobre ele em todas as suas visitas a nossa casa, Goulard, vem buscar relatórios da região, sobre os “pagãos”, é como esses cristãos nos chamam.
Ainda vejo, mesmo que não me lembre, da velha inquisição, a primeira contra a região do Languedoc. Aqueles homens que se diziam de “Deus”, espalhando o ódio e o medo por entre nosso povo, matando sem dó cátaros e fiéis do seu próprio credo, católicos também foram massacrados a centenas naquele dia.
Queimaram nossa casa, eu, um mês e poucos dias de vida, balançava nos braços de uma mãe desesperada a procura de segurança para o seu bebê, mas não adiantava, estavam por todos os lados, com fogos e espadas a mão bradavam como feras incontroláveis. Minha mãe tropeçou e por infelicidade acabei ferido, no alto da testa, pelo tombo. Ela não agüentava mais correr, me abraçou com toda força e chorou, olhou para um céu nada otimista, todo negro por nuvens pesadas de outono e clamou com toda a sua força que o Criador, Deus do espírito, a ajudasse, aqueles olhos azuis pediam com força, clamavam, sua alma tremia dentro de si, podia sentir. Até que sentiu uma mão em seu ombro, virou-se rapidamente e viu um padre jovem, cabelos escuros até os ombros, pele branca e olhos verdes, reconheceu, era o padre das redondezas, muito interessado em tudo o que os cátaros acreditavam, acusado por muitos de conspiração, contudo vivia por ali, ignorando todos.
- Venha comigo – disse ele com delicadeza.
A mulher olhou e conseguiu ver o seu ser, a ajuda havia chegado, mais uma vez sua fé funcionara. Deu-lhe a criança, ele recusou, ela olhou com espanto, ele percebendo lhe disse:
- Eu me expressei errado, venham comigo, os dois, acolherei os dois a minha casa – ele já com a criança no colo lhe ofereceu a mão. Dos olhos da mulher escorria lágrimas, incansáveis lágrimas, onde a tristeza e alegria se encontravam.
Aquele momento foi a nossa salvação, e eu hoje consigo viver graças a esse homem que nos salvara, Adílio, Homme de l'esprit de Dieu, meu mentor, meu pai, meu ponto de observação, onde vejo que diferenças não interferem em convivência, o que realmente causa intriga e o medo de perder o poder, o qual a séculos se vê nas mãos do maior líder de todo império romano, o papa.
Heliaz dos Santos Shauon.
